Rituais funebres de Tata Tancredo da Silva Pinto

Documentos sobre seus rituais fúnebres que foram relatados pelos presentes e todo o ritual foi transcrito e guardado nos arquivos da CEUB - RJ

"O FUNEBRE RITUAL DE TANCREDO SILVA"

Texto original de Prof. Ornato José da Silva ( Link abaixo) Transcrição Darlan de Oxossi @omolokoceara

Foi Seputado as 15 horas do dia 02.09.79 no caneiro 3810 da quadra 70 no Cemitério de São Francisco Xavier, no bairro do Caju, na cidade do Rio de Janeiro Tancredo da Silva Pinto, nascido em 10.08.1905, no municipio de Cantagalo no Estado do Rio de Janeiro. Preto velho descendente de africano que muito sofreu para ajudar na liberdade de culto para os umbadistas e, por extensão aos camdoblecistas.

O Obito ocorreu a 1 hora e 25 minutos do dia 01.09.79 na enfermaria numero 22, da casa de Saúde Iraja, na rua Pereira de Araujo, 44 no Rio de Janeiro.

A enfermeira que o assistia, durante o seu período de internação na Casa de Saúde, era sobrinha de Tio Sani, nigeriano já falecido e radicado aqui no Rio onde deixou vários parentes, inclusive, a aludida enfermeira, Oscarina Sani Adiô.

O Corpo de Tancredo da Silva Pinto, ficou exposto para visitação pública e para exéquias de seu culto de Omolocô, no Ilé de Umbanda Baba Oxalufan, situado na Av. dos Italianos n 1.120, Coelho Neto, tendo como presidente o Sr. José Amaral.

Estiveram assistindo às cerimonias ocultistas vários de santo do Tata de Inkice falecido, vindo de Belo Horizonte, Uberlandia, São Paulo e Niteroi e outras autoridades religiosas ligadas ao cultos afro.

No livro de registro de todos os filhos de santos que foram iniciados na umbanda pelo Tata, encontrei um total de 3.576 filhos de santo entre vivos e os falecidos.

Quem está comandado o SIRUM, nome do cerimonial de encomendação dos mortos iniciados nos cultos africanos, também, conhecido como, AXÊXÊ, é José Catarino da Costa, o popular Zé Criolo do municipio de Duque de Caxias, RJ.

José Catarino da Costa é filho de XAPANAN e foi confirmado como OGAN COLOFÉ, no terreiro de Tio Paulino da Mata e Tia Olga da Mata.

O SIRUM foi iniciado na madrugada do dia 2.09.79 com cânticos, apropriados e colocação de três alguidades com agua e farinha de mesa, em baixo do caixão do defunto.

Na saida do corpo do Ilé de umbanda Baba OXalufan, outro cerimonial foi feito por todos filhos de santo que batiam três pacadas no caixão e caminhavam sete passos para a frente e três passos para trás segurando o caixão do defunto até atingirem o coche. O mesmo preceito foi realizado a entrada do cemitério.

Todas as pessoas que saíram do Ilé de Umbanda tiveram que retornar para efeito de serem submetidos a uma MUJIMBA feita de DEBURU, pelo Ogan Colofé Zé Criolo. As DEBURU caídas ao chão foram juntadas por uma KOTA para posteriormente serem despachadas em local apropriado.

Após a MUJINBA com o DEBURU, um OBORÉ, munido de um caneco contendo agua misturada com varias MACAIAS macegadas, entornava o líquido nas palmas das mãos de cada pessoa que em seguida lavavam seus rostos, braços e pernas. Em seguida cada participante que passava por esse ritual era encaminhado para dentro do barracão onde do lado esquerdo via-se um alguidar com MACAIAS macegadas. Depois que Zé Criolo limpou todos, as pessoas foram dispensadas para voltarem no dia seguinte para continuação do AXÊXÊ ou SIRUM.

As cerimonias de SIRUM, Cultura Angola e AXEXE, cultura Nagô durarão sete dias. Segunda-feira, 16:00 horas serão feitas oferendas para EXU e para as Almas (EGUN), acrescidos de cânticos e danças em redor de um alguidar grande onde serão colocados os pertences e tudo aquilo que o falecido mais gostava em vida. Após o cerimonial as comidas serão colocadas dentro do CRUZAMBÈ ou ILEGUN. As cerimonias se repetirão diariamente até o sétimo dia.

As Comidas que forem arriadas só poderão ser levantadas no dia do santo do falecido, no caso, na quinta feira, dia consagrado ao ORIXÁ OXOSSI.

Uma das cantigas que são entoadas dentro do ritual omolocô: "Chora filho... Chora Pai...Chora Zambi, também...".

Este ritual somente pode ser feito por pessoa iniciada no santo e que detenham pleno domínio dos fundamentos sagrados da religião sob pena de incorrer em erro que poderá até culminar com a morte do executante. Por isso que existe grandes Babalorixás que não gostam de executar este tipo de obrigação com medo de KUFAR ou KENDA ou UNLÓ.

Segundo palavras da irmã carnal do Tata, Dona Maria do Carmo, o mesmo teria em vida manifestado o desejo de que o AXÉ que ele carregava no pescoço fosse passado para sua filha de santo chamada CAPIXABA. Esta sabedora da vontade do Tata, inclinou-se no nicho, junto com outras irmãs de santo e retiraram do corpo inerte do "DE CUJUS" o colar com os três Axes.

Usaram da palavra vários oradores, dentre eles, podemos destacar, os seguintes, quando o corpo foi baixado à seputura. A irmã do Tata, Dona Maria do Carmo, lembrou que o mesmo sempre afirmara em vida o desejo de ser enterrado no chão, isto por causa dos fundamento religioso.

  • Sr. Adjovenes B. de Aguiar, de São Paulo.

  • Vereadora Bambina Bucci, do Rio de Janeiro.

  • Wany Guimarães de Belo Horizonte.

  • Nelson Matheus, de Belo Horizonte.

  • Martinho Mendes Ferreira, do Rio de Janeiro.

  • Antropólogo Henrique Landes Jr. do Rio de Janeiro.

  • Professor Ornato José da Silva, do Rio de Janeiro.

  • Zé Pitanga, do Rio de Janeiro.

  • Pai Jeronimo, do Rio de Janeiro.

  • Jose Alcides, da Irmandade de Santa Efigenia no Rio, e milhares de.

    ( Falta paginas no texto)

Nosso bate papo com Diego Uchoa Historiador que falará sobre Tata Tancredo e sua historia.

Brasil, Rio de Janeiro, Registro Civil, 1829-2012," database with images, FamilySearch (https://familysearch.org/ark:/61903/3:1:S3HT-67R9-BL?cc=1582573&wc=9GRP-PTP%3A113334201%2C163536902%2C121991501 : 19 October 2019), Rio de Janeiro > 12ª Circunscrição > Óbitos 1979, Ago-Out > image 62 of 306; Corregedor Geral da Justicia (Inspector General of Justice Offices), Rio de Janeiro.